Plano discutido na Casa Branca inclui libertação de reféns, retirada gradual de tropas e criação de administração transitória no território palestino
por Letícia Viel Ferro, 29/09/2025 às 14:13
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca em 29 de setembro de 2025, em uma reunião voltada à discussão de uma proposta para encerrar o conflito na Faixa de Gaza. Segundo informações divulgadas pelo governo norte-americano, o encontro teve como foco um plano estruturado que prevê cessar-fogo, libertação de reféns e reorganização política do território.
De acordo com a Casa Branca, a proposta foi apresentada inicialmente como um conjunto de 21 pontos, sendo posteriormente consolidada em 20 diretrizes principais. O texto prevê a interrupção imediata das hostilidades, a libertação de reféns mantidos pelo grupo Hamas, a devolução de corpos, além da retirada gradual das forças israelenses e ampliação da entrada de ajuda humanitária na região.
O plano também inclui a criação de uma estrutura internacional para supervisionar a transição política em Gaza. Segundo as informações, o território passaria por um período de administração transitória conduzida por um comitê palestino de perfil técnico, com supervisão de um organismo internacional denominado “Board of Peace”, que contaria com participação direta dos Estados Unidos.
Outro ponto central da proposta é a exclusão do Hamas de qualquer governo futuro no território. O texto prevê ainda a desmilitarização de Gaza, com a entrega de armas pelo grupo e o fim de sua atuação política e militar. De acordo com os termos divulgados, integrantes que aceitassem abandonar atividades armadas poderiam receber anistia, enquanto aqueles que optassem por deixar o território teriam passagem segura.
Segundo declarações públicas, Netanyahu manifestou apoio à proposta apresentada pelos Estados Unidos. No entanto, a efetivação do acordo depende da adesão do Hamas, que, até o momento mencionado nas reportagens, não havia sinalizado concordância formal com os termos.
Antes da reunião, a Casa Branca informou que as partes estavam próximas de um entendimento, embora ressaltasse a necessidade de concessões mútuas. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que negociações desse tipo envolvem decisões complexas e que o resultado final pode não atender integralmente às expectativas de todos os envolvidos.
O plano também aborda a permanência da população civil palestina em Gaza. De acordo com a proposta, não haveria deslocamento forçado, e os moradores poderiam participar do processo de reconstrução do território, desde que a região fosse reorganizada sob uma estrutura desmilitarizada.
A reconstrução de Gaza aparece como um dos eixos estratégicos da iniciativa. O texto prevê investimentos em infraestrutura, reorganização econômica e ampliação da ajuda humanitária, com o objetivo de criar condições para estabilidade após o fim do conflito.
O encontro entre Trump e Netanyahu ocorreu em um cenário de forte pressão internacional, com críticas de organismos multilaterais e divergências entre países sobre a condução da guerra. A proposta norte-americana busca integrar aspectos de segurança, governança e assistência humanitária em um único plano, que depende da coordenação entre diversos atores internacionais.
Especialistas apontam que a viabilidade do plano está condicionada a fatores como a aceitação do Hamas, garantias de segurança para Israel, participação de países árabes e implementação de uma autoridade transitória capaz de operar em um território afetado por meses de conflito. O tema segue em análise por autoridades e organismos internacionais, enquanto novas negociações podem ocorrer a partir das respostas das partes envolvidas.
