Levantamentos indicam aumento da rejeição ao STF em diferentes regiões

Pesquisa mostra avanço da desconfiança no Supremo e acende alerta sobre desgaste institucional em meio ao caso Banco Master

por Redação
19/04/2026 – 13h06

A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest colocou o Supremo Tribunal Federal no centro de um desgaste que já não pode ser tratado como ruído passageiro. Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2022, a desconfiança na Corte passou da metade da população. Segundo os dados divulgados neste domingo, 53% dos brasileiros disseram não confiar no STF, enquanto 41% afirmaram confiar. O restante não soube responder.

O dado chama atenção não apenas pelo número isolado, mas pela trajetória. Em 2022, quando a série começou, o Supremo ainda aparecia com saldo mais favorável de percepção pública. Em agosto de 2025, o cenário mostrava 50% de confiança e 47% de desconfiança. Agora, a curva se inverteu de forma clara, consolidando um ambiente de desgaste institucional que se agravou nos últimos meses. A própria Quaest já havia mostrado, em setembro de 2025, que a confiança nas instituições brasileiras vinha se deteriorando, e o STF já figurava entre os polos mais sensíveis dessa perda de credibilidade.

O levantamento divulgado neste 19 de abril surge em meio à repercussão nacional do caso Banco Master e das revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. A pesquisa e as reportagens que reproduziram seus resultados situam a queda de confiança justamente no período em que o escândalo ganhou força no debate público, sobretudo entre agosto de 2025 e março de 2026. Isso não prova, por si só, uma relação causal direta, mas mostra que o tom da crise política e judicial passou a caminhar junto com a piora na imagem do Supremo perante a opinião pública.

Os recortes regionais ajudam a explicar o tamanho do problema. No Sul, 62% disseram não confiar no STF. No Sudeste, esse índice chegou a 59%. Também chama atenção o recorte por renda: entre os brasileiros com renda familiar superior a cinco salários mínimos, 60% declararam desconfiança na Corte. Já entre os que recebem até dois salários mínimos, houve empate técnico, com 47% de desconfiança e 45% de confiança. O retrato indica que a rejeição não está concentrada em um único nicho, mas aparece de forma mais forte em segmentos relevantes do eleitorado e em regiões economicamente centrais do país.

Politicamente, o resultado tem peso. O STF ocupa posição central em decisões que atravessam disputas partidárias, investigações, crises entre Poderes e debates constitucionais. Quando a imagem da Corte afunda, não é apenas o tribunal que perde. O sistema inteiro passa a operar sob maior suspeita. Em ambiente de polarização, esse tipo de erosão alimenta ataques, amplia resistências e enfraquece a autoridade institucional num momento em que o país já convive com tensão permanente entre política, Judiciário e opinião pública. A pesquisa não mede culpa, nem julga condutas individuais de ministros, mas registra com nitidez que a confiança popular no Supremo entrou numa fase mais crítica.

A metodologia do levantamento também ajuda a dimensionar o resultado. A Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, entre 10 e 13 de abril de 2026, com entrevistas presenciais e questionários estruturados. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-09285/2026.

Mais do que um número ruim para o STF, o levantamento expõe um recado político de maior alcance: quando a principal Corte do país passa a ser vista com desconfiança por mais da metade da população, o problema deixa de ser apenas jurídico e vira um tema central da crise de legitimidade institucional brasileira. O dado não encerra o debate, mas muda de patamar a discussão sobre credibilidade, autoridade e limite de desgaste do Supremo diante do país real.

Notícias em destaque

Gritos, empurra-empurra e correria marcam inauguração de loja no Grande Recife

Obras em unidades da rede colocam infraestrutura escolar no centro das atenções em Barueri

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *