Senador eleito por São Paulo foi cobrado por apoiadores depois de não votar contra o indicado de Lula ao STF; justificativa foi tratada como fraca e levou eleitores a falarem em medo e omissão
Por Redação — 2 de maio de 2026, às 23h17
O senador Astronauta Marcos Pontes, eleito por São Paulo pelo PL, passou a enfrentar forte cobrança nas redes sociais depois de não votar contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A votação no Senado terminou com a rejeição do nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção. Segundo o resultado divulgado sobre a sessão, Pontes apareceu entre os senadores ausentes da votação, ao lado de Wilder Morais, Cid Gomes e Oriovisto Guimarães.
A ausência ganhou peso político porque a votação foi tratada pela oposição como uma derrota relevante do governo federal. Pela primeira vez desde 1894, o Senado rejeitou uma indicação presidencial ao Supremo. O episódio, por si só, já tinha força histórica. Para parte do eleitorado conservador, porém, a ausência de Pontes criou uma crise à parte: seus apoiadores esperavam um voto claro contra Messias.
A irritação aumentou depois que o senador tentou explicar sua posição. Antes da votação, Pontes havia defendido uma estratégia para expor a posição de parlamentares em votações secretas. Segundo a tese apresentada por ele, o senador poderia registrar presença e não votar, deixando o nome em branco no painel. Para Pontes, isso indicaria ao eleitor que o parlamentar não contribuiu com votos favoráveis ao indicado.
A explicação, porém, não convenceu parte dos próprios eleitores. Nos comentários, apoiadores classificaram a justificativa como fraca e cobraram uma posição direta. A pergunta feita por muitos foi simples: se o senador era contra Jorge Messias, por que não votou “não”? Para esses eleitores, a tentativa de transformar ausência ou falta de voto em gesto de transparência soou como uma forma de escapar do desgaste político.
A reação foi dura. Um eleitor escreveu: “Se quisesse dizer não, votaria não! Simples assim”. Outro questionou: “Existe o voto ‘NÃO’ pra que então?”. Também houve ironia contra a tese do senador: “O sistema só computa votos ‘sim’? E os 42 ‘não’, são o quê?”. As mensagens mostram que a base não aceitou bem a explicação técnica sobre o painel do Senado.
A cobrança também chegou ao campo eleitoral. Um seguidor afirmou: “O meu voto no senhor não foi abstenção, foi sim. Na próxima será não”. Outro escreveu que, na reeleição, Pontes já teria o seu “não”. Houve ainda comentários com tom de ruptura, como “deixando de seguir” e “tchau, querido”, sinalizando que a insatisfação não ficou restrita ao episódio da votação.
Parte dos eleitores foi além e passou a falar em medo político. Nos comentários, apareceram frases como “amarelou, por quê?” e “postura fraca, é não e pronto”. Para esse grupo, o senador não apenas errou na votação, mas tentou justificar o erro com uma explicação que piorou a percepção pública. A palavra “omissão” passou a resumir a crítica de muitos apoiadores.
A situação ficou mais delicada porque Marcos Pontes construiu sua trajetória política com apoio expressivo de eleitores de direita em São Paulo. Filiado ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele carrega uma imagem associada à oposição ao governo Lula. Por isso, a ausência em uma votação simbólica contra um indicado do presidente gerou reação direta justamente entre pessoas que afirmam ter votado nele.
O ponto central da crise está na diferença entre a lógica do senador e a expectativa do eleitor. Pontes tentou sustentar uma tese sobre transparência em votação secreta. Já parte da base esperava uma atitude objetiva: comparecer, votar contra e assumir publicamente a posição. Em política, especialmente em votações de alto impacto, a forma costuma pesar tanto quanto o resultado.
A rejeição de Jorge Messias teve forte repercussão nacional. O advogado-geral da União havia sido indicado por Lula para ocupar a vaga deixada no Supremo Tribunal Federal. Antes de chegar ao plenário, seu nome passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas acabou barrado na votação final. Com o resultado, o presidente terá de indicar outro nome para a vaga no STF.
Para o eleitorado de direita, a votação virou um teste de alinhamento político. Os 42 votos contrários foram vistos como uma vitória da oposição. Nesse ambiente, a ausência de Pontes ganhou leitura negativa. Mesmo que o senador tente sustentar que sua posição era contrária ao indicado, os críticos afirmam que faltou o gesto mais importante: o voto.
A justificativa apresentada por Pontes também abriu margem para desgaste porque tentou explicar um tema complexo em um momento de cobrança simples. O eleitor não queria uma aula sobre painel eletrônico, voto secreto ou estratégia legislativa. Queria saber se o senador votou contra Jorge Messias. Como isso não aconteceu, a explicação passou a ser tratada como desculpa por parte dos apoiadores.
O caso mostra como a base conservadora tem cobrado seus próprios representantes em votações consideradas decisivas. A reação não partiu apenas de adversários políticos. Muitos comentários vieram de eleitores que se identificam com a direita e que dizem ter apoiado Pontes nas urnas. O tom predominante foi de frustração, cobrança e ameaça de retirada de apoio futuro.
Do ponto de vista político, o problema de Marcos Pontes não está apenas na ausência. Está na tentativa de justificar a ausência de uma maneira que muitos eleitores consideraram frágil. Em vez de encerrar a polêmica, a explicação deu novo fôlego às críticas. Para parte da base, o senador tentou transformar uma omissão em estratégia.
A votação de Jorge Messias já entrou para a história do Senado. Para Marcos Pontes, porém, o episódio pode deixar uma marca própria entre seus eleitores em São Paulo. Em uma disputa nacional marcada por forte polarização, a ausência em uma votação simbólica dificilmente passa despercebida. E, neste caso, a cobrança veio de dentro da própria base.
A crise ainda pode perder força com o tempo, mas deixou um recado claro ao senador. Para muitos eleitores, não basta dizer que é contra. É preciso votar contra quando a votação exige posição. No caso de Jorge Messias, a justificativa de Pontes não resolveu o problema. Ao contrário, aumentou a irritação e fez parte de seus apoiadores enxergar medo, fraqueza e omissão.

