Mounjaro: maioria volta a ganhar peso após interromper uso, aponta estudo

Medicamento inovador para obesidade e diabetes mostra resultados expressivos, mas levanta alerta sobre manutenção dos benefícios após interrupção

por Redação | 26/04/2026 – 12h58

O uso do medicamento Mounjaro, considerado uma das principais inovações recentes no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, voltou ao centro das discussões médicas após a divulgação de um estudo que aponta um efeito preocupante: a maioria dos pacientes volta a ganhar peso após interromper o tratamento — e, junto com isso, perde parte dos benefícios conquistados.

A pesquisa, publicada na revista científica JAMA Network Open, analisou dados do ensaio clínico SURMOUNT-4 e trouxe números que reforçam um ponto já conhecido por especialistas, mas pouco discutido fora do meio médico: o tratamento da obesidade não é pontual, é contínuo.

De acordo com o levantamento, 82% dos pacientes que haviam perdido peso com o uso do medicamento recuperaram ao menos 25% do peso eliminado no período de um ano após a interrupção. Em casos mais extremos, pessoas que voltaram a ganhar 75% ou mais do peso perdido tiveram praticamente anulados os ganhos relacionados à saúde.

O impacto vai além da estética. O estudo mostrou que o reganho de peso está diretamente ligado à reversão de melhorias importantes, como redução da pressão arterial, controle do colesterol e melhora da resistência à insulina — fatores fundamentais para a prevenção de doenças cardiovasculares.

Por outro lado, os participantes que conseguiram manter a perda de peso mesmo após o fim do uso do medicamento continuaram a apresentar indicadores positivos de saúde, incluindo circunferência abdominal reduzida e melhor controle metabólico.

O princípio ativo do Mounjaro, a tirzepatida, atua diretamente em mecanismos hormonais ligados ao apetite e ao controle glicêmico, sendo considerada uma evolução em relação a outros medicamentos da mesma categoria. Estudos anteriores já indicavam que o fármaco também influencia áreas cerebrais associadas à compulsão alimentar, reduzindo o desejo por comida em alguns pacientes.

Ainda assim, os novos dados reforçam um ponto central: o medicamento não funciona isoladamente como solução definitiva.

Especialistas apontam que a interrupção do tratamento sem uma estratégia de manutenção — envolvendo alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico — tende a levar ao chamado “efeito rebote”, comum em terapias para perda de peso.

Em nota, a farmacêutica Eli Lilly, responsável pelo desenvolvimento do medicamento, destacou que a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica e progressiva, exigindo acompanhamento contínuo. A empresa também ressaltou que mudanças no estilo de vida, embora importantes, nem sempre são suficientes para garantir resultados sustentáveis em todos os pacientes.

O cenário coloca o Mounjaro em uma posição ambígua: ao mesmo tempo em que representa um avanço significativo na medicina, também evidencia os limites de soluções farmacológicas isoladas.

A discussão, agora, se desloca para um ponto mais amplo — o tratamento da obesidade como condição de longo prazo, que exige abordagem multidisciplinar e, em muitos casos, uso prolongado de medicação.

Enquanto isso, cresce o interesse público e médico por alternativas que combinem eficácia com sustentabilidade dos resultados, sem depender exclusivamente do uso contínuo de medicamentos de alto custo.

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