Nova pesquisa mostra queda de Soraya Thronicke nas intenções de voto

Após surfar na onda conservadora de 2018, parlamentar chega a 2026 com partido trocado, base desidratada e desempenho fraco nas pesquisas para o Senado.

por Redação
18 de abril de 2026, 22h

Soraya Thronicke entrou na política nacional embalada por um vento que já não sopra com a mesma força sobre ela. Em 2018, foi eleita senadora por Mato Grosso do Sul no PSL, legenda de Jair Bolsonaro à época, e adotou sem rodeios o rótulo de “a senadora do Bolsonaro”, capitalizando a onda conservadora que dominou aquela eleição. Hoje, o cenário é outro. Soraya chega à disputa de 2026 com sinais visíveis de desgaste, sem o mesmo lastro eleitoral, fora do campo bolsonarista e com desempenho modesto nas pesquisas mais recentes para o Senado.

Antes da vida parlamentar, Soraya construiu sua trajetória como advogada e empresária. Tornou-se conhecida também pelo vínculo da família com uma rede de motéis em Mato Grosso do Sul, fato público há anos e já explorado em perfis sobre sua biografia. Esse passado empresarial nunca foi, por si só, um problema eleitoral. O ponto central está em outro lugar: sua carreira política foi impulsionada por um discurso de direita, por alinhamento com Bolsonaro e por uma imagem de novidade que, com o tempo, se desgastou. O que antes parecia ativo eleitoral virou passivo político quando ela rompeu com o bolsonarismo sem conseguir consolidar uma nova base de apoio com a mesma força.

A mudança de posição foi pública e ruidosa. Em 2022, já em campo oposto ao ex-presidente, Soraya ganhou projeção nacional ao confrontar Bolsonaro no debate presidencial. Naquele momento, a ruptura ficou evidente. O problema para ela é que o eleitor costuma punir com dureza figuras que sobem apoiadas em um padrinho político e depois tentam redesenhar a própria identidade sem apresentar um capital eleitoral próprio suficientemente robusto. Em política, romper pode ser legítimo. O erro está em romper sem sustentar a travessia. Soraya parece ter ficado justamente nesse meio do caminho: já não mobiliza a antiga base com a mesma intensidade e tampouco se firmou como liderança dominante em outro campo.

Os números de 2026 ajudam a explicar essa perda de força. Pesquisa do Instituto Ranking Brasil Inteligência, realizada entre 5 e 10 de abril, mostrou Soraya com 7,4% das intenções de voto em um dos cenários para o Senado em Mato Grosso do Sul, distante dos primeiros colocados. Já o levantamento do Novo Ibrape, feito entre 24 e 29 de março, colocou Reinaldo Azambuja, Capitão Contar e Nelsinho Trad à frente; Soraya apareceu atrás desse bloco principal, com 6,8%, segundo a reprodução do cenário divulgada por veículos locais. Em março, numa pesquisa em Campo Grande, ela marcou apenas 2,4%. Não se trata de tropeço isolado. É uma sequência de sinais ruins para quem pretende renovar o mandato.

A troca partidária recente também expõe a dificuldade de encontrar um pouso político estável. Soraya deixou o Podemos e se filiou ao PSB, mirando a reeleição. A movimentação mostra que ela continua no jogo, mas também evidencia que o mandato chega à reta final sem um campo natural consolidado. Em 2018, sua identidade era simples de entender: conservadora, bolsonarista e candidata da onda. Em 2026, sua posição ficou mais confusa para parte do eleitor. E política confusa cobra preço alto nas urnas. Quem precisa explicar demais quem é, normalmente já perdeu parte da conexão espontânea com o público.

Também pesa o contraste entre expectativa e resultado. Soraya não foi uma senadora anónima no noticiário. Teve visibilidade, disputou a Presidência da República em 2022 e ocupou espaços relevantes no Senado. Mesmo assim, essa exposição não se converteu, até aqui, em vantagem eleitoral clara para 2026. Ao contrário: o que se vê é uma parlamentar conhecida, mas sem tração correspondente nas pesquisas. Em linguagem direta, isso é um problema sério. Fama sem voto não salva mandato. Presença em Brasília não substitui enraizamento eleitoral. E capital mediático não resolve rejeição nem desalinhamento com a base que a elegeu.

O quadro atual permite uma conclusão dura, mas objetiva: Soraya Thronicke vive um processo de declínio político em Mato Grosso do Sul. A senadora que surgiu com a força da maré bolsonarista agora tenta sobreviver depois de perder o impulso original, trocar de campo e assistir outros nomes ocuparem a dianteira na corrida ao Senado. Ainda há tempo até a eleição, e política admite viradas. Mas, no retrato de abril de 2026, Soraya não aparece como protagonista da disputa. Aparece como alguém a tentar evitar que o fim do mandato seja lembrado como a queda de uma aposta eleitoral que envelheceu mal.

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