Vítima sofreu traumatismo craniano leve após ser atingida enquanto atravessava corretamente a Avenida Marechal Costa e Silva, na zona Norte da cidade
por Redação — 08/04/2026, às 13h17
Uma mulher foi atropelada na faixa de pedestres por um motociclista que teria avançado o sinal vermelho na Avenida Marechal Costa e Silva, na zona Norte de Ribeirão Preto, em um caso que provocou revolta e voltou a acender o alerta sobre a imprudência no trânsito. A vítima, Adriele Ferreira Euzebio, sofreu traumatismo craniano leve e precisou de atendimento médico após ser atingida quando seguia a pé para o trabalho.
De acordo com as informações do caso, o atropelamento aconteceu na manhã de segunda-feira, 30 de março. Adriele havia acionado o botão do semáforo destinado aos pedestres, aguardado a parada dos veículos e iniciado a travessia de forma correta, dentro da faixa. Mesmo assim, acabou sendo atingida pela motocicleta em um trecho onde, segundo a própria dinâmica relatada, a preferência era claramente de quem atravessava a via.
O episódio ganhou ainda mais repercussão porque, além da gravidade do atropelamento, o comportamento atribuído ao motociclista após a colisão causou forte indignação. O que mais causou revolta entre as pessoas que acompanharam o caso foi a aparente frieza do condutor, que teria demonstrado maior preocupação com a moto do que com o estado de saúde da vítima logo após o impacto. Em vez de uma reação imediata de cuidado com a mulher ferida no asfalto, a impressão deixada foi a de distanciamento e insensibilidade diante da situação.
Segundo relato de Adriele, quando sua irmã chegou ao local, ela ainda estava desnorteada. Foi a irmã quem conversou com testemunhas e também com um dos motociclistas envolvidos na ocorrência. De acordo com a vítima, esse homem afirmou que não havia sido o autor do atropelamento e alegou que outro motociclista teria atingido a pedestre e fugido sem prestar socorro. Disse ainda que teria chegado depois, quando Adriele já estava caída, e que caiu ao tentar desviar do corpo na pista.
A versão, no entanto, passou a ser contestada depois que a família teve acesso às imagens do ocorrido. Segundo Adriele, sua irmã reconheceu nas gravações que o homem que falava no local seria o mesmo que a atingiu. A partir daí, o caso passou a ser visto com ainda mais indignação, não apenas pelo atropelamento em si, mas também pela suspeita de que o responsável teria tentado se desvincular da responsabilidade logo após o acidente.
Adriele recebeu alta hospitalar nesta semana e agora se recupera em casa. Apesar de o ferimento ter sido classificado como traumatismo craniano leve, o episódio deixou marcas e levantou uma questão que tem revoltado moradores e quem acompanhou o caso: até que ponto a vida de um pedestre está protegida, mesmo quando todas as regras são seguidas corretamente. Ser atingida dentro da faixa, com o semáforo em seu favor, transforma o atropelamento em um retrato duro da desobediência no trânsito urbano.
Um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil, que deverá apurar a dinâmica do acidente e identificar formalmente o responsável. A RP Mobi informou que o motociclista foi socorrido pelo Samu até a UPA Norte, mas ressaltou que os esclarecimentos sobre a ocorrência cabem às autoridades policiais. Agora, a expectativa é que imagens, depoimentos e demais elementos reunidos na investigação permitam esclarecer o caso de maneira definitiva.
Especialistas da área de trânsito apontam que, no trecho onde o atropelamento ocorreu, a sinalização está de acordo com a legislação. Ou seja, não havia dúvida sobre a preferência de passagem. A pedestre fez o que deveria ser feito: acionou o semáforo, aguardou o momento correto e iniciou a travessia pela faixa. Quando um condutor ignora esse conjunto de regras e segue mesmo diante da ordem de parada, o que existe não é mera distração, mas uma conduta grave, com potencial real de ferir e até matar.
O caso chama ainda mais atenção porque o mesmo ponto já havia sido cenário de outro atropelamento grave. Em fevereiro de 2024, um estudante também foi atingido por um veículo enquanto passava pela faixa de pedestres naquele local. A repetição de ocorrências semelhantes no mesmo trecho expõe um problema que vai além de um episódio isolado. Há uma combinação perigosa entre imprudência, desrespeito à sinalização e vulnerabilidade de quem atravessa a rua a pé.
Mais do que um acidente, o que ocorreu com Adriele escancara uma realidade dura das cidades brasileiras: mesmo quando o pedestre age corretamente, ele continua exposto ao erro, à pressa e à irresponsabilidade de terceiros. E quando, além disso, a reação do condutor aparenta ser mais voltada ao próprio veículo do que à vítima caída no chão, a indignação se torna inevitável. O que se espera agora é que o caso avance, que o responsável seja identificado sem margem para dúvidas e que a resposta das autoridades esteja à altura da gravidade do que aconteceu.
